Filosofia: estudo e ensino

À procura do saber amigo…

Categoria: Filosofia da Ação

“Ações, razões e causas”, de D. Davidson

Essays on actions and events (Clarendon Press, 2001, 2nd ed.) reúne dezessete ensaios publicados por Donald Davidson entre 1963 e 1985. Esses escritos abordam temas de filosofia da ação, da mente, ontologia, entre outros. Nas palavras introdutórias do próprio autor, o tema unificador

é o papel de conceitos causais na descrição e explicação da ação humana. A tese é que a noção ordinária de causa, que entra nas explicações científica e do senso comum de assuntos não-psicológicos, também é essencial para o entendimento do que é agir com uma razão, ter uma certa intenção ao agir, ser um agente, agir contra o próprio melhor juízo, ou agir livremente. A causa é o cimento do universo; o conceito de causa é o que mantém unida a nossa imagem do universo, uma imagem que de outro modo iria desintegrar-se em um díptico do mental e do físico. (p. xv)

Esses artigos foram muito influentes e discutidos. Entre as obras que foram dedicadas à sua discussão, encontramos os livros organizados por Lepore e McLaughlin (1985), por Vermazen e Hintikka (1985), por Heil e Mele (1993) e por Hahn (1999), além de inúmeros outros artigos que continuam discutindo a obra de Davidson. Em sua resenha do livro, Tyler Burge (1983) declara que vários dos ensaios foram extremamente influentes, “particularmente ‘Actions, reasons, and causes’ [Ensaio 1], ‘How is weakness of the will possible?’ [Ensaio 2], “The logical form of action sentences’ [Ensaio 6], ‘Mental events’ [Ensaio 11’” (p. 608), e que “um (‘Actions, reasons, and causes’) mudou a direção de um assunto [subject]” (p. 608).

A seguir, ofereço um comentário ao primeiro artigo da coltânea. As citações foram feitas com base na tradução para o português “Ações, razões e causas”, publicada na revista Crítica. Os números das páginas, no entanto, referem-se ao artigo original em inglês.

Ensaio 1: “Actions, reason, and causes” [Ações, razões e causas] (1963)

A tese principal de “Ações, razões e causas” é que racionalizações (ou a explicação de ações com base em suas razões) são um tipo de explicação causal. Uma razão (ou uma razão primária) consiste no par formado por (a) a atitude favorável de alguém dirigida a ações de um certo tipo (exemplos desse tipo de atitude são querer, desejar, considerar um dever ou uma ação valiosa) e (b) uma crença de que a ação realizada é daquele tipo.
A tese de Davidson pode ser ilustrada mediante um dos seus próprios exemplos. Digamos que eu pressione o interruptor da sala. Uma explicação dessa ação poderia ser:

E1. Pressionei o interruptor porque queria acender a luz e sabia (ou acreditava) que pressionando o interruptor a luz se acenderia.

Segundo a tese de Davidson, a razão primária, mencionada após o ‘porque’ de E1, é a causa da minha ação de pressionar o interruptor, descrita antes de ‘porque’.
Mas há um problema a ser enfrentado aqui. Uma mesma ação pode ser descrita de maneiras diversas, embora a racionalização só aconteça quando a descrição da razão é adequada à descrição da ação. Seguindo o exemplo anterior, imagine que ao pressionar o interruptor eu tenha também alertado um ladrão do fato de que estava em casa. Davidson diz que nesse caso não haveria dois eventos – pressionar o interruptor e alertar o ladrão –, mas apenas um, sob duas descrições diferentes. A razão apresentada em E1, no entanto, não racionaliza o fato de que alertei o ladrão. E2 é uma racionalização incorreta:

E2. Alertei o ladrão porque queria acender a luz e sabia que pressionando o interruptor a luz se acenderia.

Mesmo que o evento de eu pressionar o interruptor tenha sido, segundo Davidson, o mesmo evento de alertar o ladrão, disso não se segue que E1 e E2 sejam ambas verdadeiras. Há um caráter intensional nas racionalizações, ou seja, a substituição de termos com mesma referência não garante a preservação da verdade.
Para evitar esse tipo de problema, Davidson formula uma condição necessária mais refinada para razões primárias:

C1. R é uma razão primária pela qual um agente realizou a ação A sob a descrição d somente se R consiste numa atitude favorável do agente em relação a ações com certa propriedade, e da crença do agente de que A, sob a descrição d, tem tal propriedade. (p. 5)

Com essa qualificação, Davidson coloca em evidência que razões podem tornar racionais certas ações apenas se a ação e a razão são descritas apropriadamente. O restante do artigo representa um argumentação intensa de Davidson contra várias objeções, então vigentes, à tese de que razões são causas, ou que racionalizações são explicações causais.

Objeção 1: justificação exclui causalidade (pp. 8-9)

Quando revelamos a razão pela qual alguém agiu, diz Davidson, “uma ação revela-se coerente com certos traços do agente, de curto ou longo prazo, característicos ou não, e o agente é apresentado no seu papel de Animal Racional” (p. 8). Por isso, há um sentido um tanto fraco em que racionalizações são justificações: “do ponto de vista do agente houve, quando agiu, algo a dizer em favor da ação” (p. 9).
A primeira objeção pode ser construída nas seguintes linhas gerais. Nas explicações causais ordinárias (o vidro quebrou porque foi atingido por uma pedra) não há nenhum caráter justificador envolvido na explicação. Por isso, poderíamos pretender concluir que racionalizações são um tipo diferente de explicação, provavelmente não-causal. Haveria dois tipos de explicações, um por justificação (as racionalizações) e outro causal (demais contextos).
Davidson responde que não precisamos conceber esse caráter justificativo das racionalizações como excluindo a causalidade. Mesmo que admitíssemos que toda razão fosse por si só uma justificação da ação que racionaliza, “não se segue que a explicação não seja também – e necessariamente – causal” (p. 9).
Em uma resposta complementar, Davidson sugere uma diferença entre a justificação e a explicação que uma razão pode fornecer. Para que uma razão explique uma ação é necessário que a ação tenha sido realizada por (causa de) aquela razão (ver p. 9). Mas isso não é necessário para que uma razão justifique uma ação. Se tiro uma criança pequena de perto de um aparelho elétrico, por exemplo, uma razão que justificaria essa ação seria que pensei que a criança poderia machucar-se. Mas talvez essa não tenha sido a razão em virtude da qual realizei tal ação. Eu poderia, por exemplo, ter feito aquilo porque não queria que a criança estragasse o aparelho. A primeira razão poderia servir de justificativa, ainda que não fosse a razão por que a ação foi realizada. Mas, para servir de explicação, a razão tem de ser aquela pela qual eu agi. Portanto, mesmo que toda explicação por racionalização tenha algum grau de justificação, uma justificação não necessariamente é uma explicação.

Objeção 2: redescrição exclui causalidade (pp. 9-11)

Quando explicamos uma ação mediante razões, o que fazemos é redescrevê-la: um movimento com a mão pode ser redescrito, de modo a tornar-se, compreensível como uma ação de pressionar um interruptor para ligar a luz; um outro movimento pode ser descrito como uma certa jogada de xadrez, e assim por diante.
Com base nessa característica das racionalizações, foi elaborada uma objeção inspirada em Wittgenstein contra a tese de que razões possam ser causas. Segundo ela, a causalidade é uma relação entre dois eventos distintos (a causa e o efeito), mas se numa racionalização redescrevemos um único evento, não pode haver aí uma relação causal.
Davidson responde a essa objeção apontando que em explicações causais ordinárias também empregamos a redescrição: “Suponha-se que alguém se machucou. Poderíamos redescrever esse evento ‘em termos de uma causa’ dizendo que se queimou” (p. 10). Nesse caso a redescrição mencionaria a causa (queimar-se) do efeito (machucar-se). Além disso, crenças e desejos (e, portanto, razões) “certamente não são idênticas a ações” (p. 10). Consequentemente, não estamos comprometidos em dizer que há apenas um evento envolvido na redescrição que racionaliza uma ação; e se o tipo de explicação envolvido não é causal, é preciso que os defensores desta tese esclareçam qual seria o tipo de explicação em questão.

Objeção 3: estados não são causas (pp. 12-13)

Segundo essa objeção, “razões primárias consistem em atitudes e crenças, que são estados ou disposições, e não eventos; portanto, não podem ser causas” (p. 12). A resposta de Davidson é que podemos identificar ou até pressupor (quando for desconhecido) um evento precedente. Embora um desejo não seja um evento, por exemplo, o seu surgimento é. Crenças ou desejos podem surgir quando vemos ou notamos algo, e estes são eventos, e mesmo quando não sabemos atualmente qual foi o evento precedente, podemos pressupor que houve um.
No entanto, essas considerações não nos deveriam levar a pensar que as racionalizações são diferentes das explicações causais ordinárias. Por exemplo, também poderíamos explicar a queda de uma ponte dizendo que caiu porque tinha um defeito estrutural. Ainda que um defeito estrutural seja um estado, pressupomos que houve um evento que o causou, mesmo quando este nos é desconhecido.

Objeção 4: dependência lógica exclui relação causal (pp. 13-15)

De acordo com essa objeção, o fato de a razão primária e a ação que ela racionaliza não serem logicamente independentes seria um ponto contra a existência de uma relação causal entre elas. Isso tem conexão com a objeção 2, apresentada acima: como a racionalização oferece uma redescrição, não haveria dois eventos sendo descritos (e isso talvez signifique que há a ação e a razão não são logicamente independentes). Causa e efeito, por outro lado, são coisas diferentes (logicamente independentes), e, por isso, racionalizações não seriam explicações causais.
Parte da resposta de Davidson consiste em defender que “A verdade de uma afirmação causal depende de quais eventos são descritos; [mas] o seu estatuto como analítico ou sintético depende de como os eventos são descritos” (p. 14). Por exemplo, quando afirmamos que o evento A causou o evento B, estamos proferindo uma frase sintética (ou empírica). Mas poderíamos também fazer uma afirmação causal analítica, mantendo uma relação lógica entre as descrições da causa e do efeito, ao afirmar que a causa de B causou B. A relação lógica estabelecida na segunda afirmação não exclui a existência de uma relação causal entre os eventos descritos. Relações lógicas são relações entre frases ou descrições, mas relações causais são relações entre eventos.

Objeção 5: causalidade exige leis (pp. 15-17)

Esta quinta objeção assume uma concepção humeana de causalidade de acordo com a qual a existência de uma relação causal singular implica que existe uma lei causal subjacente. Mas, não temos leis causais que relacionem razões e ações, e, por isso, segue-se que racionalizações não são explicações causais.
Davidson aceita que de fato não há leis causais em sentido estrito formuladas em termos de ações e razões (no Ensaio 11, entre outros, ele defende que sequer é possível esse tipo de leis). Mas isso não nos deveria impedir de considerar a explicação em questão como causal. De fato, isso também não nos impede em outros casos. Por exemplo, podemos estar certos de que uma vidraça foi quebrada por causa de uma pedrada. Mas em geral não temos conhecimento de uma lei causal precisa que diga quais tipos de pedradas, precisamente, irão quebrar quais tipos de vidraças.
Mas Davidson defende ainda que não temos necessariamente de abandonar a posição humeana de que a causalidade está vinculada à existência de leis causais. Podemos interpretar a exigência de leis de uma maneira alternativa. Uma relação causal singular implica a existência de uma lei, mas não é necessário que a lei seja formulada nos mesmos termos em que o relato da relação causal singular foi feita. O exemplo de Davidson em favor disso é o seguinte:

Suponha-se que um furacão, que é noticiado na página cinco do Times de terça-feira, causa uma catástrofe, noticiada na página treze de quarta-feira do Tribune. Então, o evento noticiado na página cinco do Times de terça-feira causou o evento noticiado na página treze do Tribune de quarta-feira. Deveríamos procurar uma lei relacionando eventos destes tipos? (p. 17)

Seria obviamente tolo procurar uma lei causal formulada em termos de quais eventos noticiados em quais jornais causam quais eventos noticiados em quais outros jornais. Seria muito mais plausível buscar uma lei meteorológica, ou mesmo física, ainda que sob essas descrições tais eventos possam não nos ser muito interessantes. Sendo assim, Davidson defende que, apesar de causalidade envolver leis e de não haver leis formuladas em termos de ações, crenças, quereres e razões, disso não se segue que eventos descritos como ações e razões podem instanciar leis formuladas em outros termos – pode haver leis “neurológicas, químicas ou físicas” (p. 17) para os eventos em questão.

Objeção 6: leis causais e tipos de conhecimento (pp. 17-18)

Esta objeção diz que o tipo de conhecimento que se tem das próprias razões apresenta as várias características peculiares ao conhecimento de primeira pessoa. Mas nossa maneira de adquirir conhecimento de relações causais usualmente não seria esse: “uma pessoa conhece infalivelmente as suas intenções ao agir, sem indução ou observação, e nenhuma relação causal comum pode ser conhecida desse modo” (pp. 17-18).
Davidson aceita que em geral não precisamos de observação ou de inferências indutivas para conhecer as razões por que agimos, apesar de contestar que esse conhecimento de primeira pessoa tenha de ser infalível. No entanto, ele responde à objeção dizendo que, do fato de que a observação e a indução sejam uma das maneiras de se adquirir conhecimento de relações causais, não se segue que seja a única maneira. Consequentemente, não se segue que o conhecimento de primeira pessoa não seja também um conhecimento de relações causais.

Objeção 7: causalidade exclui liberdade (pp. 18-19)

A discussão desta objeção encerra o primeiro artigo. Davidson fala de um “certo desconforto que alguns filósofos sentem em falar […] de causas de ações” (p. 18). Segundo eles, se ações fossem causadas, o agente seria uma vítima do que acontece nele e com ele. Davidson pergunta-se:

Por que haveria uma causa de tornar uma ação um mero acontecimento e uma pessoa uma vítima indefesa? Será porque tendemos a supor, ao menos na área da ação, que uma causa requer um causador, a agência um agente? Assim, insistimos na pergunta: se minha ação é causada, o que a causou? Se fui eu, então há o absurdo do regresso ao infinito; se não fui, sou uma vítima. Mas é claro que estas alternativas não são exaustivas. Algumas causas não têm agentes. Entre estas, estão os estados e mudanças de estado nas pessoas; estados e mudanças esses que, porque são tanto razões como causas, constituem certos eventos livres e certas ações intencionais. (p. 19)

É difícil entender o que essa passagem quer dizer. Sem pretender avaliar a sugestão de Davidson, ofereço uma sugestão de leitura.
Qual é o “regresso ao infinito” do qual Davidson fala? Por que um agente seria uma “vítima”? Para ler essa passagem, tento ilustrá-la a partir de um exemplo. Suponha que o agente A gritou. Assim, temos a ação 1:

a1. A gritou.

Levando em conta as suposições acusadas por Davidson, se aceitamos que a1 é causada, perguntaríamos: o que é a causa de a1?
Uma sugestão poderia ser que o agente A causou sua ação a1. Bem, mas assim teríamos já uma segunda ação:

a2. A causou a1.

Aqui, novamente, poderíamos nos perguntar sobre o que causou a ação a2, e chegaríamos a uma ação a3, depois a4, e assim por diante.
Se essa sugestão de um regresso ao infinito não nos agrada, então poderíamos negar que a causa de a1 é o agente A. Nesse caso, poderia também nos desagradar que não é dado nenhum “papel ativo” ao agente A. Se algo que lhe escapa à vontade e ao arbítrio foi a causa dele realizar a1, então ele parece mesmo ser uma “vítima” do que lhe sucedeu.
A alternativa que Davidson propõe parece ser algo como o seguinte: algo conta como uma ação intencional ou livre se for causada por uma razão. Ou seja, A é livre ao realizar a1 se suas crenças e quereres são a causa de a1, independentemente de qual seja a causa dessas crenças e quereres.

Referências
Burge, T. “Book review: Essays on actions and events. Donald Davidson”. Ethics 93, 1983, pp. 608-611.
Davidson, D. Essays on actions and events. Oxford: Clarendon Press, 2001, 2nd ed. [Ver em Amazon.com]
Hahn, L. E. (ed.) The philosophy of Donald Davidson. The library of living philosophers. Chicago: Open Court, 1999.
Heil, J. e Mele, A. (eds.) Mental causation. Oxford: Clarendon Press, 1993. [Ver em Amazon.com]
Lepore, E. e McLaughlin, B. Actions and events: perspectives on the philosophy of Donald Davidson. Oxford: Brackwell, 1985.
Vermazen, B. e Hintikka, M. (eds.) Essays on Davidson: actions and events. Oxford: Oxford University Press, 1985.

Monismo anômalo: as críticas de Jaegwon Kim a Donald Davidson

Abaixo o resumo e o texto utilizado na apresentação do meu trabalho “Monismo anômalo: as críticas de Jaegwon Kim a Donald Davidson”, que apresentei agora há pouco na VIII Semana Acadêmica da Filosofia UFSM.

Resumo: Donald Davidson (1970) defendeu uma concepção sobre a relação entre eventos mentais e eventos físicos que ficou conhecida como monismo anômalo. Essa posição defende a tese de que eventos mentais individuais são idênticos a eventos físicos conjuntamente com a tese de que teorias ou predicados mentais são irredutíveis a teorias ou predicados físicos, seja por definição ou por meio de leis empíricas auxiliares. O objetivo de minha apresentação será discutir algumas críticas que Jaegwon Kim dirigiu ao monismo anômalo, especialmente a sua afirmação de que, no monismo anômalo, “eventos são causas ou efeitos somente enquanto instanciam leis físicas, e isso significa que as propriedades mentais de um evento não fazem nenhuma diferença causal” (Kim, 1989, p. 35).

Handout da apresentação: 
- As duas teses que constituem o monismo anômalo formulado por Davidson (1970):

  • Eventos mentais individuais são idênticos a eventos físicos (tese da identidade ou do monismo – token identity theory);
  • Conceitos ou teorias psicológicas são irredutíveis – quer via definição ou via leis empíricas auxiliares – a conceitos ou teorias físicas (anomalismo ou irredutibilidade do mental).

- As premissas a partir das quais Davidson defende o monismo anômalo:

  1. Princípio da interação causal: (ao menos) alguns eventos mentais interagem causalmente com eventos físicos (ver Davidson 1970: 137);
  2. Caráter nomológico da causalidade: a existência de uma relação causal entre dois eventos implica a existência de uma lei causal estrita (138);
  3. Princípio do anomalismo do mental: não há leis causais estritas explicando ou prevendo eventos mentais (138).

- Como Davidson tenta mostrar que as premissas são consistentes:

“Causalidade e identidade são relações entre eventos, não importa como descritos. Mas leis são linguísticas; e assim os eventos podem instanciar leis, e portanto ser explicados ou previstos sob a luz de leis, apenas enquanto tais eventos são descritos de uma ou outra maneira. O princípio da interação causal trata extensionalmente dos eventos e é, por isso, cego para a dicotomia mental-físico. O princípio do anomalismo do mental concerne a eventos descritos como mentais, pois eventos são mentais apenas enquanto assim descritos. O princípio do caráter nomológico da causalidade deve ser lido com cuidado: ele diz que quando eventos estão relacionados como causa e efeito, eles têm descrições que instanciam uma lei. Ele não diz que todo enunciado singular de causalidade instancia uma lei” (Davidson 1970: 141-2).

- A crítica de Kim (1989):

“O fato é que no monismo anômalo de Davidson a mentalidade [leia-se, as propriedades mentais dos eventos] não desempenha nenhum papel causal. Lembre-se: no monismo anômalo, eventos são causas ou efeitos somente enquanto instanciam leis físicas, e isso significa que as propriedades mentais de um evento não fazem nenhuma diferença causal” (Kim 1989: 35).

- A crítica de Kim (1993):

“[O monismo anômalo é compatível com a afirmação de] que eventos com uma ou outra propriedade mental sejam causas de eventos com uma ou outra propriedade física. A dificuldade que tem sido expressa pelos vários críticos […] é precisamente que a verdade dessa asserção não garante a eficácia causal das propriedades mentais” (Kim 1993: 20, itálicos adicionados).

“Davidson queixa-se que seus críticos tentaram tornar a relação binária da causalidade, ‘c causa e’, em uma relação de múltiplos termos […], possivelmente não extensional, ao empregar aquelas expressões como ‘c qua P causa e qua M’. […] Ele está ansioso por defender a causalidade como uma relação binária extensional, cujos relata são eventos concretos (‘não importa como descritos’). Mas nada disso tem muito a ver com a principal questão em jogo […]. A questão sempre foi a eficácia causal das propriedades dos eventosnão importa como eles, os eventos ou as propriedades, sejam descritos. O que os críticos argumentaram é perfeitamente compatível com a causalidade ser ela mesma uma relação extensional entre dois termos para eventos concretos; a questão deles é que essa relação não é suficiente: precisamos também de uma maneira de falar sobre o papel causal das propriedades, o papel das propriedades dos eventos para gerar, ou fundamentar, essas relações causais de dois termos entre eventos concretos” (20).

- Duas observações finais:

1. A objeção que Kim (1989) parece incorreta, porque o monismo anômalo não diz que eventos causam outros eventos em virtude de instanciarem leis de quaisquer tipos. Parece que Davidson não concede nenhuma relevância metafísica especial para o fato de a descrição de uma relação causal poder ser subsumida ou não do enunciado de uma lei causal. (A propósito disso, leis causais são apenas enunciados gerais que podem subsumir enunciados singulares da forma “c causou e”).

2. As objeções de Kim (1993), por sua vez, parecem reconhecer isso e mostrar o que parece ser a divergência real entre Davidson e seus críticos: ambos têm exigências diferentes sobre o que conta como uma boa teoria da causação mental. Uma teoria da causação mental, vale ressaltar, deve explicar de que modo acontecimentos mentais, como minha intenção de concluir a apresentação deste trabalho, podem causar coisas como os movimentos de várias células e músculos envolvidos na realização da minha ação de ler esta frase final.

Referências:
Davidson, D. 1970, “Mental events”. In: Beakley, B. e Ludlow, P. eds. (1992) The philosophy of mind: classical problems/contemporary issues. Cambridge, Mass.: MIT Press, 137-49.

Kim, J. 1989, “The myth of non-reductive materialism”. In: Proceedings and addresses of the american philosophical association 63, 31-47.

____ 1993, “Can supervenience and ‘non-strict laws’ save anomalous monism?”. In: Heil, J. e Mele, A. (eds., 1993) Mental causation. Oxford: Clarendon Press, 19-26.

Monismo anômalo na Wikipédia

Acabo inserir um texto novo para a página do Monismo Anômalo na Wikipédia. O texto anterior havia sido criado por César Schirmer, e datava de janeiro de 2006. Espero que minha contribuição seja útil aos internautas, assim como a anterior deve ter sido ao longo desses anos.

Problemas Filosóficos III – O problema da causação mental

O texto que segue guia-se pelas sugestões de Mario Porta para o Ensino de Filosofia:

“O objetivo primordial do ensino e da aprendizagem da filosofia é ‘entendê-la’. Ora, ela tem a fama de difícil, obscura e, inclusive, arbitrária. Pois bem, grande parte das dificuldades usuais em sua compreensão deve-se ao não entender o ‘problema’ do qual a filosofia trata (ou melhor, do qual um determinado filósofo ou uma determinada obra tratam). Por tal motivo, proponho-me a oferecer uma opção à didática e metodologia do estudo filosófico com base no seguinte princípio: a compreensão do problema deve constituir o núcleo essencial, o eixo, tanto do ensino quanto da aprendizagem da filosofia. Não é possível ‘entender’ filosofia se não se entende ‘o problema’ abordado por um filósofo.”1

Entretanto, como o próprio Porta coloca logo em seguida, o problema filosófico com o qual um filósofo está lidando nem sempre é explicitado por ele. Será tarefa do professor ou estudante de filosofia, portanto, buscar esclarecer esse problema, como condição prévia para a compreensão de um tema, autor, texto ou argumento.

Penso que esses elementos não são condição suficiente para o sucesso no Ensino de Filosofia (no Ensino Médio, ou em geral), mas que, se levados em consideração, podem contribuir significativamente para uma melhora na qualidade do ensino da disciplina.

Assim, aqui vai o meu esforço de tentar explicitar e esclarecer um problema (de fazer o meu dever de casa enquanto futuro professor de filosofia) que tem ocupado a filosofia há muito tempo.

O problema da causação mental (ou como algo mental pode ter efeitos no mundo físico?)

Estamos acostumados com o fato de que em algumas situações agimos como agimos porque escolhemos fazê-lo desta ou daquela maneira. Por exemplo, se tenho pouco dinheiro e quero comprar comida e bebidas, preciso optar por itens dos dois tipos que possam ser comprados com o que tenho. Uma vez conferidos os preços eu faço uma escolha: pegarei massa e suco em pó. Quando realizo a ação (ou sequência de ações) fruto dessa escolha, movimento o meu corpo da maneira adequada a atendê-la.

O que está implícito nesse exemplo é uma concepção da ação humana como a de Aristóteles: “A origem da ação … é a escolha, e a da escolha é o desejo e o raciocínio com vistas a um fim”2.Mas qual é o problema aqui? O problema filosófico tem sido explicar como podem coisas tais como escolhas, desejos, crenças, e pensamentos terem alguma influência causal no meu corpo. De um modo mais geral, como podem estados ou eventos mentais serem relevantes como causas de fenômenos físicos?

O problema da causação mental tem uma história. Um dos momentos marcantes deu-se com René Descartes (no séc. XVII). Nesse contexto o problema dependia das concepções de corpo e mente (ou alma) apresentadas por Descartes: ele pensava que corpo e alma eram duas coisas distintas, de naturezas diferentes. A alma era considerada imaterial (sem extensão no espaço), como puro pensamento; a característica principal do corpo era sua extensão espacial e incapaz de pensamentos. Nessas concepção de corpo e alma o desafio era explicar como algo não-material, a alma, poderia influenciar causalmente algo material, o corpo. Em geral pensamos que só algo físico pode afetar outra coisa física: não movo uma bola de bilhar com a força do pensamento, mas com o taco: como poderia mover minhas mãos com a vontade de uma alma imaterial?

Hoje em dia, por outro lado, a maioria dos filósofos e cientistas não aceita esse dualismo cartesiano. O pensamento dominante hoje em dia é que o mundo é constituído inteiramente de elementos físicos. Além disso, continua a suposição de que só algo físico pode afetar causalmente outra coisa física. Sendo assim, os nossos estados mentais (crenças e pensamentos, etc.) precisam ser compreendidos de alguma maneira como um tipo de aspecto desse mesmo mundo físico. Uma alternativa possível é considerar características mentais como propriedades de uma cmplexidade superior. Assim como a propriedade de ser água é uma caraterísticas de átomos arranjados de uma certa maneira, estados mentais poderiam ser características muitíssimo mais complexas, resultado de combinações muito específicas de características químicas, biológicas etc.

Nesse quadro novo, entretanto, surge a mesma dificuldade de conferir um papel causal efetivo para essas propriedades de complexidade superior. Como devemos entender “propriedades de complexidade superior” de modo a dar sentido à ideia de que essas propriedades possam ter efeitos em aspectos físicos do mundo, tais como movimentos corporais? Essa questão é importante, pois se não entendermos que agimos, ao menos algumas vezes, devido ao que decidimos ou escolhemos, há pouco sentido em usar noções como a de responsabilidade, culpa, liberdade, entre outras noções morais. A própria psicologia tem seu chão abalado, pois em grande medida carrega a suposição de que nos comportamos da maneira como nos comportamos, pelo menos em parte, devido às nossas crenças, desejos e valores, sejam esses entendidos como conscientes ou inconscientes.

Esse texto foi escrito com base nos seguintes textos que ficam como sugestões de leitura para os interessados em avançar nessa discussão (comentários e perguntas serão bem-vindas):

HEIL e MELE (eds). Mental Causation. Clarendon Press, 1993.
KIM, J.
Mind in a Physical World, Cambridge, MA: MIT Press, 1998.
Robb, David and Heil, John, “Mental Causation“,
The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Summer 2009 Edition), Edward N. Zalta (ed.).

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1
PORTA, M., A filosofia a partir de seus problemas, Loyola, 2002, p. 15.
2ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, Livro 6, 1139a 31-3 apud Heil e Mele (eds) Mental Causation. Clarendon Press, 1993.

Atitudes Proposicionais e Racionalidade em Donald Davidson

“Atitudes Proposicionais e Racionalidade em Donald Davidson” é o título do trabalho que apresentarei sob a forma de “pôster” na 24ª Jornada Acadêmica Integrada da UFSM.

Para algum interessado, o trabalho estará exposto a partir das 19hs de Quarta-Feira (11 de Novembro de 2009) na Antiga Reitoria. O número do painel é 91.

—————–[Informação Posterior]:

O trabalho do qual falei acima pode ser acessado aqui:
Fischborn, M – Atitudes Proposicionais e Racionalidade em Donald Davidson.

Crença e Ação – “É necessário acreditar para conseguir o que se quer”

(1) “É necessário acreditar para conseguir o que se quer”.

Esta afirmação (ou alguma variante) é frequentemente feita no dia a dia das pessoas. Em muitos casos, ela pode ter por trás um fundo religioso. Apesar disso, o que vou apresentar aqui não se limita a um contexto específico, principalmente porque a noção de crença é muito geral e não se limita nem ao contexto religioso, nem a nenhum outro. O que vou tentar fazer neste texto é oferecer um modo de compreender esta afirmação. Para isto, vou esclarecer alguns conceitos que estão presentes na afirmação e depois tentarei relacionar com alguns aspectos da teoria que o filósofo Donald Davidson desenvolve em torno do tema da ação*. Já adianto que o que vou dizer é que a teoria de Davidson não só é compatível, como também reforça esta afirmação. Entretanto, para que isto ocorra, precisamos entender de uma forma correta os conceitos que estão envolvidos na afirmação, e algumas de suas “sutilezas” que, segundo penso, normalmente podem ficar mistificadas ou mal entendidas. Os conceitos-chaves serão: condição necessária, crença, ação.

1. Condições Necessárias – “É necessário …”

A nossa afirmação-cobaia começa afirmando que algo é necessário para que se consiga outro algo. Bem, o que significa dizer que algo é necessário? Esta é uma noção lógica que pode ser entendida assim: x é uma condição necessária para y, se y não pode acontecer (ou ser verdadeiro) sem que também aconteça (ou seja verdadeiro) x. Por exemplo, uma condição necessária para alguém ser um ser humano (y) é que seja um mamífero (x).

Em nossa afirmação-cobaia é dito que “é necessário acreditar” para que alguém consiga o que quer. De acordo com o que falamos sobre condições necessárias, podemos reformular a afirmação com que começamos:

(2) “Acreditar é uma condição necessária para conseguir o que se quer.”

Note que é uma condição necessária, mas não se está dizendo que é suficiente. Como no caso dos mamíferos e seres humanos, é necessário ser um mamífero para ser um ser humano, mas não é suficiente: pois pode haver (e há) mamíferos que não sejam seres humanos (gatos, por exemplo). Assim, crer não garante que se consiga o que se quer, mas sem crer é impossível conseguir. A crença sozinha não é suficiente para se conseguir o que se quer; mas é necessária.

2. Ação – “conseguir o que se quer”

Como entender este “conseguir o que se quer”? Bem, penso que “conseguir o que se quer” pode ser entendido como “realizar uma ação”. Conseguir o que se quer está relacionado com atingir um fim pretendido, ou seja, fazer algo intencionalmente, e isto, ao menos em traços bem gerais, é o que caracteriza uma ação.

Por exemplo, posso querer (ou ter a intenção) de comer uma maçã. “Conseguir o que se quer” aqui seria o mesmo que conseguir realizar a ação de comer a maçã. Quando temos uma ação, temos algo (ao menos sob algum aspecto) feito intencionalmente. Com estas últimas considerações podemos assim reformular a afirmação (2):

(3) “Acreditar é uma condição necessária para uma ação”

3. Crença – os meios para o o fim pretendido

É comum dizer que a crença é uma atitude proposicional. Quando acreditamos, acreditamos numa proposição. Proposição (dando uma caracterização rápida) é uma “unidade” (ou quantidade) de informação que pode ser verdadeira ou falsa. Acreditamos, por exemplo, que está chovendo, que o Brasil é um país em desenvolvimento, que comer mata a fome, etc. Quando cremos numa proposição a tomamos por verdadeira. Isto, porém, não garante que a proposição seja verdadeira. Podemos, por exemplo, tomar por verdadeiro que está pegando fogo na casa do vizinho, por estar vendo uma grande quantidade de fumaça vindo do seu pátio e, na verdade, ele ter feito uma fogueira para queimar folhas secas.

Mas o que a crença tem a ver com ação? É neste momento que “chamamos” Donald Davidson. Dissemos anteriormente que agir está relacionado com buscar um fim pretendido. Tenho, por exemplo, a intenção de matar minha fome. “Matar a fome” é, neste exemplo, o fim pretendido (é o que tenho intenção de conseguir). Bem, mas para que eu realize uma ação, ter esta intenção não basta. Qual é o outro elemento necessário? A crença. Eu teria, no exemplo em questão, que acreditar, ao menos, que um certo alimento que tenho disponível matará a minha fome. Para agir é necessário tanto a crença quanto o fim pretendido (vale ressaltar que não estou falando que estes dois elementos sejam juntos suficientes; esta seria outra questão). Quando alguém age, tem um fim pretendido (uma intenção) e uma crença (de que um certo modo de agir o fará atingir o fim pretendido). Penso que podemos dizer que a crença apresentaria o meio para atingir o fim desejado. No nosso exemplo: quero matar a fome (fim), e acredito que comer uma maçã (meio) faria-me atingir o fim. Assim, como nossa afirmação falava desde o começo, a crença é necessária para conseguir o que se quer. Ou, aprimorando nossa afirmação (3):

(4) Crença é uma condição necessária para a ação.

E, assim, finalizo este texto esperando ter, neste caminho de nossa afirmação original (1) até a afirmação mais elaborada (4), ter ampliado a compreensão do leitor sobre a necessidade da crença para a ação (ou para conseguir o que se quer).

Observação:

Um truque (artimanha ou equívoco, quem sabe) que eu talvez tenha feito pode ter sido passar da noção de “conseguir o que se quer” para a noção de “ação”. Alguém talvez possa conseguir o que quer sem uma crença do tipo que consideramos acima como necessária (alguém quer uma coca-cola e, de repente, outra pessoa aparece com uma sem avisar). Assim ela conseguiria o que quer sem ter tido uma crença necessária.

Apesar disso, não diríamos nesse caso que ela agiu. Não foi uma ação sua conseguir a coca-cola. Justamente porque para algo ser uma ação precisa ter sido feito intencionalmente, e para isto, a crença é necessária. Assim, mesmo que o passo de “conseguir o que quer” para “realizar uma ação” não seja legitimo (ao menos sem algumas observações), uma vez dado, mostramos que, para haver ação, a crença é uma condição necessária.

Aguardo comentários, críticas e sugestões ;)

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(*) Donald Davidson foi um filósofo americano que viveu de 1917 até 2003. Baseio-me essencialmente nas ideias de Davidson presentes nos seguintes artigos:

D. Davidson (1963), ‘Actions, Reasons and Causes’, Journal of Philosophy, 60.

D. Davidson (2001), “Agency” in Essays on Actions and Events, Oxford: Clarendon Press, 2nd ed.

Filosofia da ação: sua rede conceitual

Inseri um link para o texto “A rede conceptual da acção”, de Antônio Paulo Costa, na página Sugestões para Leitura. O texto fala um pouco sobre o que é filosofia da ação. É um texto pequeno e introdutório para os que tiverem curiosidade de saber um pouquinho mais sobre esta área.

Donald Davidson: razões como causas de ações

Donald Davidson, em seu artigo Actions, Reasons and Causes defende que o que ele chama de razão primária é a causa de uma ação. Ou melhor, explicar uma ação com base na razão primária do agente é um tipo de explicação causal como outra qualquer.

Mas o que seria uma razão primária? Davidson diz que dar a razão primária pela qual um agente realiza uma ação é geralmente uma questão de nomear (a) uma pró-atitude em favor de um certo tipo de ação e (b) uma crença de que a ação praticada satisfaz esta pró-atitude. Como exemplos de pró-atitudes incluem-se desde desejos, vontades, passando noções de dever, até princípios estéticos e convenções sociais.

Um exemplo do próprio Davidson (adaptado):

Ação praticada: o agente liga a luz.

Comportamento observável: o agente pressionando o botão para ligar a luz.

Razão primária: (a) o agente quer ligar a luz e (b) acredita (sabe) que pressionando o botão conseguirá aquilo que quer.

A tese principal de Davidson (se não estou cometendo nenhum equívoco) é que uma razão primária é a causa da ação (no exemplo a razão primária é a causa do apertar o botão e do consequente ligar a luz). É claro que nem todo par de pró-atitude e crença será uma razão primária. Davidson elabora algumas condições para razões primárias. Mas nisto pretendo falar em uma outra postagem. Meu objetivo com esta postagem foi mais o de atrair interessados no assunto. Gostaria de trocar ideias sobre alguns textos de Davidson com quem tiver interesse. Aguardo comentários.

OBS: O artigo no qual estou apoiando-me é:

Davidson, “Actions, Reasons and Causes”, Journal of Philosophy, 1963.

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