Publicado em Filosofia da Linguagem, Filosofia da Mente, Metafísica

Problemas Filosóficos II – Consciência

“A experiência consciente é ao mesmo tempo a coisa que melhor conhecemos no mundo e a mais misteriosa. Não há nada que conheçamos de forma mais directa do que a consciência mas é incrivelmente difícil conciliá-la com o resto dos nossos conhecimentos. Porque é que existe? O que faz? Como é possível que nasça de processos neuronais no cérebro? Estas são algumas das questões mais intrigantes de toda a ciência.” (Chalmers)

Um dos problemas envolvendo a consciência é explicar como alguma coisa, que é composta unicamente de matéria, pode vir a ter pensamentos, intenções, ter pensamentos acerca de outras coisas. Se abríssemos nosso cérebro não veríamos lá dentro pensamentos, lembranças, imagens de amigos, nem o ônibus que sabemos que temos que correr para pegar. Como se dá isso?

Autor:

I'm a doctoral student in Philosophy at Federal University of Santa Maria, Brazil. My research focuses on the practical role of decisions on certain practical aspects of our lives, including responsibility and punishment. I'm also interested in assessing the impact of empirical studies on discussions about free will. More at: https://fischborn.wordpress.com

3 comentários em “Problemas Filosóficos II – Consciência

  1. Eaí Marcelo,
    esse é sem dúvida um tema interessantíssimo. A resposta que ouvi uma vez a essa pergunta, é mais ou menos a seguinte: não é necessário dissernir entre pensamento e matéria, quando se trata de cérebro; nesse caso, pensamento é matéria.
    abraço!

    1. Daí Elton, obrigado pelo comentário!

      Penso que a posição dominante hoje em dia é anti-dualista. Entretanto, identificar as duas coisas por si só não resolve o problema: como pode uma coisa completamente composta de carne, neurônios (no fim das contas um amontoado de partículas) representar a realidade, produzir sons que são a respeito de outras coisas no mundo. Como o Fodor coloca: “I suppose that sooner or later the physicists will complete the catalogue they’ve been compiling of de ultimate and irreducible properties of things. When they do, the likes of spin, charm, and charge will perhaps appear upon their list. But aboutness surely won’t; intentionality simply doesn’t go that deep.” (Fodor, J, Psychosemantics – the problem of meaning in the philosopy of mind; Chap 4 “Meaning and the World Order”, p.97. The MIT Press: Cambridge, 1987).

      Não conheço o Fodor, mas achei interessante essa passagem, embora esteja provavelmente dirigida ao problema do significado (que nesse contexto acho que até pode ser outra face do mesmo problema).

      Um abraço!

      1. Penso que a pergunta de ‘como pode’ seja uma pergunta que remeta a uma curiosidade, tal como a pergunta do porque se ajuntarmos esses e aqueles compostos químicos criamos vida (vide Craig Venter). A ciência pode ser capaz de nos dizer o que temos de ajuntar, em nível elementar, mas (penso) não nos poderá dizer o porque desse amontuado, em determinadas circunstâncias, adquirir a capacidade de fazer e compreender representações. Tampouco creio que a filosofia poderá.
        Contudo, se me permite puxar a discussão um pouquinho para um outro lado, gostaria de propor uma experiência: computadores, ou possuem essa capacidade de fazer e compreender representações, ou não, correto?
        A questão aparece como insolúvel, ao menos para Turing, na medida em que podemos (ao menos em teoria) sempre criar um computador que faça exatamente a mesma coisa daquilo que consideramos a atividade de representar, no entanto ele de fato não compreende, apenas faz. Agora, imitar uma representação é o mesmo que representar?
        Daí é um passo simples para a conclusão de que nem nós mesmos sabemos se representamos ou se aprendemos a ‘imitar’ representações. No final das contas, não temos como distinguir se representamos ou apenas fazemos um comportamento muito bem treinado de estímulo-resposta a cada vez que nos colocamos frente a uma pretensa representação.
        Creio que a investigação só fará sentido no momento em que tivermos um significado muito bem estabelecido para o que é representar.
        Abraço!

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