Publicado em Ética, Filosofia para Ensino Médio

A imoralidade da exploração animal

Uma das discussões “quentes” atualmente em ética/ética aplicada diz respeito ao estatuto moral dos animais e, em particular, ao seu uso para a alimentação, vestuário, entretenimento e pesquisas científicas humanas. Gostaria de propor para reflexão nesta postagem o seguinte argumento contra o consumo de produtos de origem animal:

  1. É moralmente errado qualquer ato que acarrete em sofrimento desnecessário a seres vivos.
  2. Consumir produtos de origem animal é um tipo de ato que acarreta sofrimento desnecessário a seres vivos.
  3. Logo, é moralmente errado consumir produtos de origem animal.

A forma do argumento é válida. Trata-se da forma modus ponens (Todo A é B; x é A; Logo, x é B). Há algum problema com o argumento ou com a sua conclusão?

Autor:

I'm a doctoral student in Philosophy at Federal University of Santa Maria, Brazil. My research focuses on the practical role of decisions on certain practical aspects of our lives, including responsibility and punishment. I'm also interested in assessing the impact of empirical studies on discussions about free will. More at: https://fischborn.wordpress.com

4 comentários em “A imoralidade da exploração animal

  1. Estimado Marcelo,

    compreendo que o argumento é válido, mas para ser um bom argumento, isto é, um argumento correto, as premissas teriam de ser verdadeiras. Em particular, não concordo que a premissa 1 seja verdadeira, pois o que é moral ou imoral não é compartilhado por todo mundo. É um caso em que pode ser verdade para você e não para mim, ou o inverso.

    Abraço.

    1. Obrigado pelo comentário!
      Exatamente, um bom argumento (que garanta a conclusão) exige a verdade das premissas, além da validade. O que você quer dizer com “não ser compartilhado com todo mundo”? Que as pessoas divergem a respeito do que consideram certo ou errado? Se for isso, estou de acordo. Mas disso não se segue que não possa haver um valor de verdade (objetivo) determinado para a premissa 1 (eu acho). Sendo assim, não compreendo exatamente o que seria uma premissa “ser verdadeira para mim ou para quem quer que seja”. Um modo de mostrar que a premissa é falsa ou errada (falsa, e não falsa “para mim”), seria apontar um caso de ato que acarrete sofrimento desnecessariamente a alguém e que seja moralmente correto (ou pelo menos não seja moralmente errado). Poderíamos discordar num caso desses sobre o que significa esse “desnecessário”, mas creio que, uma vez decidido isso, as coisas não se alteram a respeito do argumento e da premissa em particular.
      Um abraço e volte a comentar!

      1. “Que as pessoas divergem a respeito do que consideram certo ou errado?” correto, isso que pensei.
        Contudo, “Mas disso não se segue que não possa haver um valor de verdade (objetivo) determinado para a premissa 1 (eu acho)” não quer dizer que conheçamos esse valor, ou mesmo que possamos conhecer. Pense em alguma proposição como a hipótese do contiuo, por exemplo. Gödel mostrou que simplesmente não podemos mostrar se ela é verdadeira ou falsa. Penso que o mesmo ocorre com as sentenças do tipo em questão. Se você disesse que é moralmente imoral, haveria de mostrar (objetivamente) como isso é verdade. Se dissermos, por exemplo, que “Todos os mares são cor-de-rosa” seria fácil mostrar seu valor de verdade, no caso, falso, apenas com um exemplo de mar azul.
        A discussão é boa!

      2. Entendo. E acho que concordo. Mesmo aceitando que o valor de verdade é objetivo, disso não se segue que o tenhamos determinado ou mesmo que possamos saber que é verdadeiro (ou mesmo falso). Não conheço em particular esses resultados do Gödel, mas acredito que de um jeito a gente decide se um certo juízo moral é verdadeiro (assumindo que verdade se aplique nesse caso), apelando para as razões que o sustentam e para o que tende a parecer mais óbvio (como o princípio de não maltratar os outros só por divertimento pessoal, ou desnecessariamente).
        Grande abraço!

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