A imoralidade da exploração animal

Uma das discussões “quentes” atualmente em ética/ética aplicada diz respeito ao estatuto moral dos animais e, em particular, ao seu uso para a alimentação, vestuário, entretenimento e pesquisas científicas humanas. Gostaria de propor para reflexão nesta postagem o seguinte argumento contra o consumo de produtos de origem animal:

  1. É moralmente errado qualquer ato que acarrete em sofrimento desnecessário a seres vivos.
  2. Consumir produtos de origem animal é um tipo de ato que acarreta sofrimento desnecessário a seres vivos.
  3. Logo, é moralmente errado consumir produtos de origem animal.

A forma do argumento é válida. Trata-se da forma modus ponens (Todo A é B; x é A; Logo, x é B). Há algum problema com o argumento ou com a sua conclusão?

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4 comentários em “A imoralidade da exploração animal

  1. Estimado Marcelo,

    compreendo que o argumento é válido, mas para ser um bom argumento, isto é, um argumento correto, as premissas teriam de ser verdadeiras. Em particular, não concordo que a premissa 1 seja verdadeira, pois o que é moral ou imoral não é compartilhado por todo mundo. É um caso em que pode ser verdade para você e não para mim, ou o inverso.

    Abraço.

    1. Obrigado pelo comentário!
      Exatamente, um bom argumento (que garanta a conclusão) exige a verdade das premissas, além da validade. O que você quer dizer com “não ser compartilhado com todo mundo”? Que as pessoas divergem a respeito do que consideram certo ou errado? Se for isso, estou de acordo. Mas disso não se segue que não possa haver um valor de verdade (objetivo) determinado para a premissa 1 (eu acho). Sendo assim, não compreendo exatamente o que seria uma premissa “ser verdadeira para mim ou para quem quer que seja”. Um modo de mostrar que a premissa é falsa ou errada (falsa, e não falsa “para mim”), seria apontar um caso de ato que acarrete sofrimento desnecessariamente a alguém e que seja moralmente correto (ou pelo menos não seja moralmente errado). Poderíamos discordar num caso desses sobre o que significa esse “desnecessário”, mas creio que, uma vez decidido isso, as coisas não se alteram a respeito do argumento e da premissa em particular.
      Um abraço e volte a comentar!

      1. “Que as pessoas divergem a respeito do que consideram certo ou errado?” correto, isso que pensei.
        Contudo, “Mas disso não se segue que não possa haver um valor de verdade (objetivo) determinado para a premissa 1 (eu acho)” não quer dizer que conheçamos esse valor, ou mesmo que possamos conhecer. Pense em alguma proposição como a hipótese do contiuo, por exemplo. Gödel mostrou que simplesmente não podemos mostrar se ela é verdadeira ou falsa. Penso que o mesmo ocorre com as sentenças do tipo em questão. Se você disesse que é moralmente imoral, haveria de mostrar (objetivamente) como isso é verdade. Se dissermos, por exemplo, que “Todos os mares são cor-de-rosa” seria fácil mostrar seu valor de verdade, no caso, falso, apenas com um exemplo de mar azul.
        A discussão é boa!

      2. Entendo. E acho que concordo. Mesmo aceitando que o valor de verdade é objetivo, disso não se segue que o tenhamos determinado ou mesmo que possamos saber que é verdadeiro (ou mesmo falso). Não conheço em particular esses resultados do Gödel, mas acredito que de um jeito a gente decide se um certo juízo moral é verdadeiro (assumindo que verdade se aplique nesse caso), apelando para as razões que o sustentam e para o que tende a parecer mais óbvio (como o princípio de não maltratar os outros só por divertimento pessoal, ou desnecessariamente).
        Grande abraço!

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