Epistemologia Naturalizada

“A autoridade especial que pertence ao conhecimento da primeira pessoa pareceu para muitos filósofos torná-lo adequado de um modo único para a tarefa de fornecer uma fundação para o restante do conhecimento, em particular, certamente, para o nosso conhecimento do ‘mundo externo’ e das mentes dos outros. Tal conhecimento necessita uma fundação, pensa-se, precisamente porque não há uma pressuposição de que nossas crenças sobre o mundo ou as mentes dos outros sejam verdadeiras. [..]

Quine propôs que a epistemologia fosse naturalizada. Com isso ele quis dizer que a filosofia deveria abandonar a tentativa de fornecer uma fundação para o conhecimento, ou, de outro modo, de justificá-lo, e deveria, em vez disso, dar uma abordagem de como o conhecimento é adquirido. Críticos queixaram-se de que ao abandonar a tarefa normativa da epistemologia Quine simplesmente mudou de assunto; suspeito que ele concorda, e que isso é parte do que ele pretendeu. Certamente, a distinção entre descrever e justificar, entre uma abordagem empírica da gênese do conhecimento e uma declaração das normas que as crenças devem satisfazer para contar como conhecimento, não é de modo algum clara, como talvez seja evidente o fato de que a epistemologia naturalizada de Quine, enquanto não faz nenhuma tentativa séria de responder ao cético, é de modo reconhecível uma forma razoavelmente convencional de empirismo. E de qualquer modo, como pode alguém descrever o conhecimento ou suas origens sem decidir o que o conhecimento é? A resposta de Quine a essa pergunta é que temos de aceitar o que a ciência e o senso comum esclarecido ditam sem tentar justificá-lo; sua abordagem de como chegamos a esse conhecimento, entretanto, é exatamente o tipo de abordagem que foi tomado tradicionalmente como constituindo uma tentativa na justificação.” (Davidson, “Epistemology externalized”, 1990. In Subjective, intersubjective, objective. Clarendon Press: 2001, p. 193-4)

Livros:
Donald Davidson, Subjetivo, intersubjetivo, objetivover na Livraria Cultura.
Donald Davidson, Subjective, intersubjective, objective: ver em Amazon.com.

Um comentário em “Epistemologia Naturalizada

  1. Acho que Carnap seria um dos que, mesmo tendo escrito tempos antes, acharia que a proposta do Quine muda o assunto. Segue uma citação de Carnap (1961) “Pseudo-problemas em Filosofia”

    “Enfatizou-se frequentemente que se deve diferenciar a averiguação epistemológica pela justificação ou redução de uma cognição a outras da questão psicológica concernente à origem de uma cognição. Para aqueles que não estão satisfeitos com as expressões “dado”, “redutível”, “fundamental”, ou para aqueles que desejam evitar o uso desses conceitos em sua filosofia, o objetivo da epistemologia ainda não foi em absoluto formulado.”

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