Publicado em Gerais, Minha Opinião, Profissão

Revistas de acesso aberto

[Terrance Tomkow] says that “if significant numbers of philosophers, starting with luminaries and full professors” publicly committed to it, “the transition to open access could happen virtually overnight.” (do post recente no Daily Nous).

Dado que quase tudo no Brasil é Open-Access, o modo como funciona o Qualis e as atuais preocupações com internacionalização, acho que um bom próximo passo por aqui poderia ser os professores brasileiros começarem a publicar mais em revistas abertas internacionais. Algumas, por exemplo, saíram da lista do Qualis (ou nem estão lá) por não terem publicações por professores, como ocorre com Theoria, Philosophers’ Imprint e a recente Ergo. O post no Daily Nous sugere ainda esta lista de revistas abertas de filosofia.

Autor:

I'm a doctoral student in Philosophy at Federal University of Santa Maria, Brazil. My research focuses on the practical role of decisions on certain practical aspects of our lives, including responsibility and punishment. I'm also interested in assessing the impact of empirical studies on discussions about free will. More at: https://fischborn.wordpress.com

3 comentários em “Revistas de acesso aberto

  1. Marcelo, concordo com a sugestão. Mas voce tem alguma ideia se o ‘open-access’ no Brasil tem gerado revistas de qualidade? E como é que as revistas com ‘open-access’ têm feito para se sustentarem no Brasil? Fiquei surpresa dia desses com a exigência de pagamento de taxa de publicação de uma revista em psicologia no Brasil, que tem open-access, e que conta com o apoio da CAPES e CNPq. Ou seja, o acesso é gratuito mas os autores ajudam a pagar os custos da revistas.

    1. Olá Claudia,

      Não me sinto em posição de falar da qualidade das revistas abertas brasileiras em geral. Mas acho que há indicativos de que algumas estão se inserindo timidamente no cenário internacional. Por exemplo, Manuscrito tem algumas menções na SEP (daria pra questionar esse critério ou propor outros, é claro): http://plato.stanford.edu/search/searcher.py?query=%22manuscrito%22

      Kriterion e Principia também: http://plato.stanford.edu/entries/love/ e http://plato.stanford.edu/entries/truth-pluralist/

      A pesquisa não é exaustiva e o resultado é modesto. Mas isso sugere que é possível avançar. A Crítica (do México), que também é aberta, por exemplo, parece ter mais repercussão: http://plato.stanford.edu/search/searcher.py?page=3&query=%22cr%C3%ADtica%22

      Sobre o financiamento, realmente não sei como funciona na maioria dos casos. Mas acho que a maioria das revistas de filosofia tem conseguido se manter. Talvez poderiam se profissionalizar mais em alguns aspectos se houvesse mais dinheiro. Fora daqui, achei este post interessante: http://leiterreports.typepad.com/blog/2013/11/funding-strategies-and-open-acess.html

      Um abraço!

  2. Oi Marcelo, obrigada pela resposta. Desconheço o processo de criação das revistas de filosofia no Brasil, então, meus comentários valem muito mais como perguntas especulativas.
    A primeira questão é a origem da opção pela política do OA no Brasil, nas revistas de filosofia (e em ciências humanas em geral), isso se deveria a uma decisão de disponibilizar o acesso à comunidade acadêmica, ou se deveria a uma total falta de recursos dos leitores e das bibliotecas das universidades em pagar pela inscrição da revista, restando o OA como a única opção? Ou seja, talvez uma revista que não oferecesse OA no Brasil correria o risco de não ser lida por boa parte de seu público alvo. O que tornaria o OA uma questão de sobrevivência e não uma escolha política para enfrentar os problemas de financiamento das revistas, ou uma política de democratização da produção do conhecimento, mesmo que o OA resulte na satisfação desses três aspectos.
    A segunda é se a filosofia no Brasil não tenderia, com o crescimento, melhoria e projeção internacional de suas revistas (o que resulta necessariamente no aumento do volume de trabalho), a ir no caminho contrário do OA, ou seja, a começar a cobrar por publicações ou a cobrar pelo acesso.
    O post do Nadelhoffer é bem interessante. Primeiro que me fez perceber que os 350 reais de taxa de publicação cobrados pela revista Psicologia e Reflexão no Brasil são irrisórios, comparados, p.ex., aos 1500-2900 dólares da Frontiers in Human Neuroscience (mesmo contabilizando a diferença de alcance e impacto entre ambas as revistas). O que ele sugere lá de um trabalho voluntariado, que incluiria que os pesquisadores voluntariamente prestassem serviços não apenas como pareceristas e editores, mas também realizando parte dos serviços de editoração.
    Isso parece bastante semelhante ao que ocorre no Brasil. Ou seja, muitas vezes são os próprios pesquisadores que se dividem na execução de todo processo de publicação da revista (editoração, revisão, diagramação, etc). Nesse sentido, talvez a situação atual das revistas de filosofia no Brasil poderia servir como um modelo bem-sucedido de sistema de voluntariado em edição de revistas acadêmicas.
    Abraços,
    (ops! o comentário ficou um pouco grande, mas me interesso pelo assunto)
    ps. Interessante os links que mencionam as revistas brasileiras. Dois aspectos me chamaram atenção: 1) a maioria dos artigos é de autores estrangeiros que publicaram em revistas brasileiras; 2) o verbete sobre filosofia latino-americana, apesar de recente (2013) não menciona a criação da SBFA e nem da ALFAn.

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