Publicado em Filosofia, Filosofia para Ensino Médio

Algumas notas sobre a filosofia e seu ensino para 2015

Planejava escrever neste início de 2015 uma postagem para cada um dos assuntos abaixo. Mas como já estamos na metade de janeiro, decidi comentar brevemente duas reflexões sobre a prática da filosofia e seu ensino que me pareceram apropriadas para iniciar o ano:

1. Avaliações filosóficas na aula de filosofia

Se minhas experiências pessoais não estiverem muito enviesadas, penso que a prática padrão na avaliação que os professores de filosofia fazem do progresso de seus alunos (tanto no nível médio como na graduação e talvez até depois) foca-se basicamente na capacidade do aluno expressar textualmente o que leu num texto indicado pelo professor. Por essa razão, é um problema sério quando o aluno não consegue ler corretamente um texto, não consegue entendê-lo apropriadamente, ou não consegue expressar corretamente o seu entendimento do texto. Nesses slides, Desidério Murcho defende que essas capacidades textuais — ler, entender e expor o conteúdo de textos filosóficos — são apenas instrumentais para a filosofia, mas não são finais. As capacidades indicadas são apenas condições necessárias para o exercício da filosofia, mas não são elas próprias o fim a que deve almejar o aprendizado e o ensino da filosofia. Entre as capacidades finais — por si filosóficas — que se espera de um aluno estão:

  • Explicar, analisar e discutir problemas filosóficos
  • Analisar e discutir/avaliar teorias filosóficas
  • Analisar e discutir/avaliar conceitos filosóficos
  • Analisar discutir/avaliar argumentos filosóficos

2. Os métodos da filosofia

As habilidades enfocadas no item anterior dizem basicamente respeito à atividade filosófica, a fazer genuinamente filosofia. Mas como se faz filosofia, como teorias e argumentos são propostos, aprimorados ou rejeitados? Neste podcast do Elucidations, Catarina Dutilh Novaes fala sobre os métodos da filosofia. Ela apresenta três metodologias frequentemente empregadas na atividade filosófica — métodos formais, métodos empíricos e métodos históricos — e defende um pluralismo a seu respeito: não apenas os três métodos podem e devem ser empregados, mas também devem ser combinados. (Fiquei sabendo do Elucidations na lista de podcasts de filosofia elaborada pelo Pablo Rolim dos Santos).

Autor:

I'm a doctoral student in Philosophy at Federal University of Santa Maria, Brazil. My research focuses on the practical role of decisions on certain practical aspects of our lives, including responsibility and punishment. I'm also interested in assessing the impact of empirical studies on discussions about free will. More at: https://fischborn.wordpress.com

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s