Como apresentar um trabalho de filosofia

Estas dicas sobre como apresentar um trabalho filosófico, escritas por Ole Kiksvik, da Universidade de Bergen, parecem muito oportunas. Entre as principais razões para se preocupar em apresentar bem um trabalho estão a) respeitar a audiência que está fazendo a gentileza de nos ouvir e b) evitar passar uma má imagem de nós mesmos como profissionais. Entre as principais sugestões estão:

  1. Não leia seu trabalho!
  2. Começar com uma apresentação do panorama geral
  3. Não querer abranger coisas demais
  4. Praticar previamente

O link original descreve cada um desses itens e alguns outros. Tomei conhecimento dessas dicas no Daily Nous. Para acessar as dicas originais automaticamente traduzidas para o português, clique aqui. (Essas dicas por Leslie Lamport também parecem úteis. Tradução automática aqui).

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Quando escrever um artigo de filosofia (e quando não)

Para os que eventualmente se desconfortam com artigos publicados que não têm tese alguma e parecem andar sem rumo algum, ou que gastam horas e horas tentando achar um rumo para o próprio texto, eis uma sugestão que parece útil:

Para escrever um artigo, você deve estar preparado para defender uma tese. Se você não pode enunciar a tese da sua dissertação em uma única frase declarativa, você não está pronto para escrever. Não cometa o erro de pensar que começando a escrever, sua tese se tornará clara eventualmente. Aí está o desastre. Você precisa ser capaz de iniciar seu artigo com a frase, “Neste artigo, defenderei a tese de que p”. Você deveria então ser capaz de concluir seu artigo com essa frase: “Assim, vemos que p”. (Adaptado do artigo de Robert Paul Wolff)

(Sobre o que fazer até chegar lá, o método Mumford é uma ótima pedida. Mais aqui.)

Ferramentas para filósofos #1: Língua estrangeira

Este post inaugura uma série que buscará descrever ou sugerir ferramentas que podem ser de grande valia para os que pretendem se dedicar à (pesquisa em) filosofia. O parêntese é para frisar que penso que não há muita diferença entre dedicar-se com seriedade à filosofia e estar de fato pesquisando em filosofia, fazendo filosofia. Filosofia é antes de tudo uma atividade de pensamento crítico, e, por isso, ou se está ativamente pensando ou não se está fazendo filosofia.

A ferramente número 1 nos dias de hoje é: língua estrangeira! O inglês provavelmente é a mais indicada. Aqui vão algumas considerações que pretendem justificar essa recomendação e, na sequência, algumas ferramentas on-line para auxiliar nesse processo.

  • Por que aprender inglês?

Uma razão bem simples é: a maior parte dos filósofos e cientistas profissionais hoje em dia divulga seus resultados em inglês, até mesmo quando esta não é sua língua nativa. Por contraste, há muito menos filósofos (e menos ainda filósofos bons e reconhecidos por seu trabalho) que leem e escrevem em português.

Alguns números: digitando, por exemplo, “monismo anômalo” (entre aspas) no Google, obtemos aproximadamente 4,8 mil resultados. Quando digitamos “anomalous monism” esse número passa para 20,5 mil resultados. Quando vamos para o Google Scholar, que se restringe a materiais acadêmicos, os resultados para “monismo anômalo” são de cerca de 280, comparados a 1,8 mil em inglês. Em alemão, “Anomaler Monismus” resulta 5,2 mil resultados no Google e 58 no Scholar.

Consideremos um outro caso: “Crítica da razão pura” (Google: 868 mil; Scholar: 5,4 mil), “Critique of pure reason” (5 milhões ; 32,7 mil), “Kritik der reinen Vernunft” (258 mil; 28,6 mil).

Colocando os dados relativos apenas ao Google Scholar (que são os mais relevantes do ponto de vista acadêmico), temos os seguintes gráficos.

Gráfico: monismo anômalo no Google Scholar

Gráfico: monismo anômalo no Google Scholar

Crítica da razão pura no Google Scholar

Crítica da razão pura no Google Scholar

Moral da história, sem saber inglês teríamos acesso apenas a uma parcela consideravelmente restrita da literatura sobre ambos os assuntos. Como esses dois casos já mostram, pode haver variações, mas o leitor poderá fazer testes com os temas de pesquisa de seu interesse.

  • Algumas ferramentas on-line

Google Tradutor: serve para traduzir palavras isoladas, expressões, frases, textos ou mesmo páginas de sites inteiras. Opera em várias línguas,

Dicionário Michaelis On-line: dicionário on-line, traduzindo do português para várias línguas e de várias línguas para o português.

The Free Dictionary: dicionário bastante completo em várias línguas. Recomendado para expressões de difícil tradução.

SpellCheckPlus: verificador de ortografia e gramática do inglês. Recomendado para a revisão inicial de textos escritos em inglês.