O argumento do zigoto a favor do incompatibilismo

Uma das discussões filosóficas mais tradicionais ao longo da história da filosofia tem como pano de fundo a pergunta seguinte:

Questão da compatibilidade: Se a tese do determinismo é verdadeira, é possível que as pessoas sejam moralmente responsáveis por seus atos?

Outros posts deste blog detalham o que a tese do determinismo diz e o que a responsabilidade moral envolve. Este post apresenta um dos argumentos disponíveis a favor de uma resposta negativa à questão da compatibilidade, a saber, o argumento do zigoto, tal como desenvolvido por Alfred Mele em seu livro Free will and luck (Oxford University Press, 2006).

Há duas maneiras principais de se responder à questão da compatibilidade. A resposta afirmativa diz que é possível que as pessoas sejam moralmente responsáveis mesmo que habitem um universo determinista, isto é, um universo em que a tese do determinismo é verdadeira. Essa resposta afirmativa é comumente chamada de compatibilismo, uma vez que propõe que a existência de seres moralmente responsáveis é compatível com a verdade da tese do determinismo. Uma segunda resposta recorrente é negativa, e é chamada de incompatibilismo. De acordo com o incompatibilismo, não é possível que haja pessoas moralmente responsáveis em universos em que a tese do determinismo é verdadeira.

Como se pode notar, compatibilismo e incompatibilismo são respostas opostas à questão da compatibilidade. Como podemos descobrir qual das respostas é a correta (se alguma o for)?

Uma das maneiras pelas quais filósofos procuram responder a perguntas filosóficas é através da elaboração de argumentos. E uma das maneiras de argumentar, em particular, envolve a reflexão sobre casos—histórias fictícias projetadas para destacar aspectos relevantes da discussão. O Argumento do zigoto, um argumento para o incompatibilismo atualmente em discussão desenvolvido por Mele, opera exatamente dessa maneira. Mele apresenta o caso seguinte como ponto de partida:

“Daiana [um ser supremamente inteligente] cria um zigoto Z em Maria. Ela combina os átomos de Z de uma certa maneira porque quer que um certo evento E ocorra trinta anos depois. A partir de seu conhecimento do estado do universo imediatamente anterior à criação de Z e das leis da natureza de seu universo determinista, ela deduz que um zigoto precisamente com a constituição de Z implantado em Maria se desenvolverá em um agente com uma forma ideal de autocontrole que, em trinta anos, julgará, com base em deliberação racional, que é melhor realizar [a ação] A e que realizará A com base nesse juízo, produzindo assim E. Se esse agente, Erni, tem quaisquer valores inabaláveis [unsheddable] no momento, eles não desempenham qualquer papel na motivação de A. Trinta anos depois, Erni é uma pessoa mentalmente sadia, é idealmente autocontrolado e não tem qualquer atitude relevante compelida ou produzida coercitivamente. Ademais, suas crenças são condutivas à deliberação bem informada e ele é um deliberador confiável.” (Mele 2006, p. 188)

De maneira simplificada, o caso acima descreve uma situação em que um agente, Daiana, cria um zigoto planejado para desenvolver-se em uma pessoa, Erni, que realizará uma certa ação, A. Como Daiana tem superpoderes e o cenário em que as coisas se passam é determinista, Daiana pode ter certeza de que Erni fará o planejado. Mas Erni é, em tudo o que acontece depois de sua implantação em Maria, idêntico a agentes que não fossem planejados como ele por agentes com superpoderes e que se desenvolvessem normalmente em universos deterministas.

Com base neste caso, Mele apresenta o seguinte esboço de um argumento a favor do incompatibilismo—o argumento do zigoto:

“1. Devido à maneira como seu zigoto foi produzido em seu universo determinista, Erni não é um agente livre e não é moralmente responsável por nada.

2. No que diz respeito à ação livre e à responsabilidade moral dos seres nos quais seus zigotos se desenvolvem, não há diferença significativa entre o modo como o zigoto de Erni surge e o modo como qualquer zigoto humano normal surge em um universo determinista.

3. Portanto, o determinismo impede a ação livre e a responsabilidade moral.” (Mele 2006, p. 189)

O argumento envolve basicamente dizer que Erni não é moralmente responsável e que tampouco difere significativamente de qualquer ser humano normal em um universo determinista. Se isso é verdade, então também deve ser verdade que seres humanos em geral em universos deterministas não são moralmente responsáveis—o que é uma resposta incompatibilista à questão da compatibilidade. A primeira premissa, como se pode notar, é baseada no caso fictício de Erni. E a segunda premissa envolve a comparação do percurso da vida de Erni com o percurso da vida de pessoas quaisquer em universos deterministas, isto é, pessoas que não tiveram seus zigotos planejados para um dia realizarem uma certa ação pré-planejada.

Será o argumento do zigoto de Mele correto?

O que é responsabilidade moral?

Ao longo da história da filosofia (incluindo a filosofia produzida atualmente), um tópico recorrente é o da responsabilidade moral. Esse tópico é por vezes investigado juntamente com o tema do livre-arbítrio, com questões sobre a relevância do determinismo para esses assuntos, e também em conexão com os sentimentos e atitudes que manifestamos quando somos gratos ou elogiamos alguém por ter feito algo, ou quando nos ressentimos ou repudiamos o ato de alguém.

Abaixo, traduzo um trecho de um texto escrito por Michael J. Zimmerman que ajuda a explicitar o que exatamente está em questão quando filósofos falam em responsabilidade moral.

É bem sabido que o termo ‘responsável’ tem muitos significados. Precisamos distinguir, primeiramente, entre responsabilidade causal e pessoal.

A responsabilidade causal surge quando um evento ou estado causa outro. Por exemplo, um curto-circuito pode ser responsável por um incêndio, um furacão por uma enchente, e assim por diante. […]

A responsabilidade pessoal, diferentemente, envolve uma pessoa sendo responsável por algo. Essa responsabilidade vem em dois tipos principais: prospectiva e retrospectiva. Ser prospectivamente responsável, ter uma responsabilidade prospectiva, é ter uma obrigação. Sheila, por exemplo, pode ser responsável pela segurança dos nadadores; isto é, pode ser responsabilidade dela garantir que os nadadores estejam e permaneçam seguros. (Também se poderia dizer que Sheila é responsável—uma pessoa responsável—sem dizer que é responsável por qualquer coisa. Tipicamente, isso apenas significaria que ela leva a sério suas várias responsabilidades prospectivas.) […]

[A responsabilidade retrospectiva é] a responsabilidade que se tem por algo que já aconteceu. Dave, por exemplo, pode ser responsável nesse sentido pela morte dos nadadores. A responsabilidade retrospectiva pode ser moral ou não-moral (por exemplo, legal).

Fonte: Zimmerman, M. “Varieties of moral responsibility”, pp. 45-46, em R. Clarke, M. McKenna e A. Smith, The nature of moral responsibility. Oxford University Press, 2015.

Em grande parte das discussões filosóficas sobre responsabilidade moral, o que está em questão é o que acima é chamado de responsabilidade moral retrospectiva. Trata-se da responsabilidade que alguém pode ter por algo que já aconteceu. Mas nem toda responsabilidade retrospectiva é moral. Por exemplo, um criminoso é considerado criminalmente (ou legalmente) responsável por um crime que cometeu. Esse é também um tipo de responsabilidade retrospectiva, mas não se trata de responsabilidade retrospectiva moral.

O que, mais precisamente, a responsabilidade retrospectiva moral envolve? Em linhas bastante gerais, diz-se que um agente é moralmente responsável por algo quando é apropriado responder de certas maneiras ao que ele fez. Por exemplo, se um agente moralmente responsável fez algo bom (por exemplo, ajudou uma pessoa caída a levantar) pode ser apropriado agradecer-lhe ou elogiá-lo por isso. Se um agente moralmente responsável faz algo ruim, por outro lado, pode ser apropriado censurá-lo ou condenar o que fez. Essas reações (gratidão, elogio ou censura) são formas de responsabilizar moralmente o agente. Somos responsáveis, nesse sentido, quando é apropriado que os outros respondam de certas maneiras ao que fizemos. Boa parte da discussão filosófica a esse respeito dedica-se a estabelecer sob quais condições essas respostas são apropriadas, isto é, que condições precisam ser satisfeitas para que um agente seja moralmente responsável.

Perguntas para seguir pensando:

  1. Qual é a diferença entre responsabilidade moral e responsabilidade criminal?
  2. Crianças são moralmente responsáveis? (E criminalmente?)
  3. Pessoas com incapacidade mental severa podem ser moralmente responsáveis? Por quê?

Este texto foi publicado originalmente em fischborn.wordpress.com e pode ser reutilizado livremente para fins não-comerciais. A discussão nos comentário abaixo é bem-vinda.

Filosofia em vídeos (2)

Para os que estão voltando às aulas no Ensino Médio, gostaria de divulgar dois canais criados recentemente no YouTube para tratarem de assuntos filosóficos de uma maneira acessível (veja aqui e aqui para outros vídeos divulgados neste blog).

O primeiro é o SciFilo. Este canal conta atualmente com 6 vídeos introdutórios, que buscam abordar a filosofia de forma rigorosa mas bem humorada. O canal é produzido por Kherian Gracher, que é mestrando em filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina.

Um segundo canal, também recentemente criado é o Penso Logo Assisto. Este canal conta com um primeiro vídeo, e também tem por objetivo tornar conteúdos de filosofia acessíveis a estudantes e ao público em geral.

Boa volta às aulas!

Avaliando argumentos — Lógica no Ensino Médio

Preparei o pôster que está disponível aqui para uma prova de desempenho didático de um concurso público. Trata-se de um material introdutório sobre a avaliação de argumentos, ou seja, sobre como distinguir entre argumentos bons e argumentos ruins. A tabela contida no pôster introduz três aspectos pelos quais podemos avaliar um argumento: um puramente formal, outro combinando aspectos materiais e formais, e outro não-formal.

Acho essas ideias extremamente poderosas, se bem compreendidas e empregadas, para o desenvolvimento de uma atitude crítica saudável em diversos âmbitos de nossas vidas, incluindo a própria filosofia, outros assuntos acadêmicos, mas também em diálogos e discussões sobre questões de interesse público e/ou político.

Fico à disposição para quaisquer dúvidas que o material possa suscitar!

Monismo anômalo: Uma reconstrução e revisão da literatura

Abaixo estão o resumo e o abstract de meu artigo “Monismo anômalo: Uma reconstrução e revisão da literatura”, publicado na revista Principia e disponível na íntegra aqui.

Resumo: Este artigo reconstrói os argumentos de Donald Davidson (1970) em favor de sua teoria do monismo anômalo e revisa as principais críticas que recebeu. Essa teoria é amplamente rejeitada atualmente e, dadas as inúmeras críticas recebidas, é razoável concluir que qualquer tentativa de reabilitação tem um longo caminho pela frente. A diversidade dessas críticas sugere que não há consenso sobre por que exatamente o monismo anômalo fracassa, embora as dificuldades pareçam convergir sobre a justificação e possibilidade da tese monista, e não sobre a anomalia do mental.

Abstract: This paper reconstructs Donald Davidson’s (1970) arguments for his theory of anomalous monism, and reviews the main criticisms it received. That theory is widely rejected nowadays, and given the numerous criticisms it received, it is reasonable to conclude that any rehabilitation attempt has a long way ahead. The diversity of those criticisms suggests that there is no consensus on exactly why anomalous monism fails, although difficulties seem to concentrate on the justification and possibility of the monist thesis, and not on the thesis of mental anomalism.

Quando escrever um artigo de filosofia (e quando não)

Para os que eventualmente se desconfortam com artigos publicados que não têm tese alguma e parecem andar sem rumo algum, ou que gastam horas e horas tentando achar um rumo para o próprio texto, eis uma sugestão que parece útil:

Para escrever um artigo, você deve estar preparado para defender uma tese. Se você não pode enunciar a tese da sua dissertação em uma única frase declarativa, você não está pronto para escrever. Não cometa o erro de pensar que começando a escrever, sua tese se tornará clara eventualmente. Aí está o desastre. Você precisa ser capaz de iniciar seu artigo com a frase, “Neste artigo, defenderei a tese de que p”. Você deveria então ser capaz de concluir seu artigo com essa frase: “Assim, vemos que p”. (Adaptado do artigo de Robert Paul Wolff)

(Sobre o que fazer até chegar lá, o método Mumford é uma ótima pedida. Mais aqui.)

Quais são os seus problemas?

Aqui estão algumas ideias sobre a pesquisa nas ciências que parecem se aplicar bem também à pesquisa em filosofia:

“A maioria dos grandes cientistas conhecem muitos problemas importantes. Eles têm algo entre 10 e 20 problemas importantes para os quais estão procurando um ataque. E quando veem surgir uma ideia nova, ouve-se dizerem: ‘Bem, isso diz respeito a este problema’. Eles largam todas as outras coisas e debruçam-se sobre ele” (Richard Hamming, “You and your research“, [1]).

“O estudo dos fundamentos e limitações da computação, que levou à invenção dos computadores eletrônicos, desenvolveu-se em resposta a um conjunto de problemas matemáticos aparentemente abstratos (e obscuros). Esses problemas foram propostos no ano de 1900 no Congresso Internacional de Matemáticos em Paris, pelo matemático alemão David Hilbert. A palestra de Hilbert no congresso estabeleceu uma lista de resoluções para o novo século na forma de 23 dos mais importantes problemas sem solução na matemática” (Melanie Mitchell, Complexity: A guided tour, 57-58 [2]).

Se quisermos aplicar isso à pesquisa em filosofia, então deveríamos nos perguntar: “Quais são os meus problemas?”

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Originais:

[1] “Most great scientists know many important problems. They have something between 10 and 20 important problems for which they are looking for an attack. And when they see a new idea come up, one hears them say “Well that bears on this problem.” They drop all the other things and get after it.” (Richard Hamming, “You and your research“).

[2] “The study of the foundations and limitations of computation, which led to the invention of electronic computers, was developed in response to a set of seemingly abstract (and abstruse) math problems. These problems were posed in the year 1900 at the International Congress of Mathematicians in Paris by the German mathematician David Hilbert.
Hilbert’s lecture at this congress set out a list of mathematical New Year’s resolutions for the new century in the form of twenty-three of the most important unsolved problems in mathematics.” (Melanie Mitchell, Complexity: A guided tour, 57-58).

Os cursos de filosofia da UFSM

Aqueles que pensam na possibilidade de estudar filosofia — licenciatura, bacharelado, mestrado ou doutorado — na Universidade Federal de Santa Maria encontrarão no vídeo abaixo uma primeira apresentação e aproximação com esses cursos:

Para quem pretende prestar o vestibular para o curso de filosofia, em particular, eu recomendaria adicionalmente que tomasse conhecimento das disciplinas que compõem o curso (ver o site do departamento), e que buscasse contato com alunos ou mesmo professores do curso (por exemplo, neste grupo no Facebook).

Para outros cursos do Centro de Ciências Sociais e Humanas, há vídeos similares no YouTube (por exemplo, para os cursos de História, Ciências Sociais, Ciências Contábeis, Economia etc.).

A filosofia, seus problemas, e como fazê-la

Aqui está um belo texto de Desidério Murcho, intitulado “A natureza da filosofia e seu ensino“, publicado na revista Educação, 27.2 (2002). Enfatizo algumas passagens:

“A pergunta que se impõe é esta: o que vamos então estudar e ensinar aos nossos estudantes? Se a Filosofia não tem conteúdos, que vamos nós fazer? É muito simples: vamos estudar e ensinar a discutir os problemas da Filosofia, começando pelos mais acessíveis e avançando para os mais difíceis. Para uma pessoa poder discutir com pés e cabeça um problema qualquer da filosofia, tem de ter os conhecimentos relevantes (de ciência, arte, etc.), como já fiz notar. E tem de conhecer minimamente a discussão atual desse problema. Do mesmo modo que um físico ou um historiador não pode ignorar as respostas dos seus colegas aos problemas que o preocupam, também o filósofo não pode ignorar as respostas dos outros filósofos aos problemas que o preocupam. E a verdade é que se aprende muito estudando essas discussões, apesar de não se aprender conteúdos perfeitos e acabados como os da Física ou da História do ensino médio — mas como já ficou claro, esses conteúdos perfeitos e acabados da História e da Física do ensino médio não são, nem de perto nem de longe, o que interessa aos grandes historiadores e aos grandes físicos. Finalmente, para uma pessoa poder discutir um problema em Filosofia, tem de saber discutir problemas: tem de saber lógica formal e informal, do mesmo modo que um historiador tem de saber compreender um documento ou um físico tem de saber fazer uma experiência ou compreender uma fórmula.” (p. 15)

“O estudo da Filosofia começa pela compreensão gradual de um determinado problema ou conjunto de problemas filosóficos. O que é realmente o problema do livre arbítrio, por exemplo? Como podemos formulá-lo com precisão? O que está em causa? Por que razão é importante? Não será antes uma confusão, um falso problema?” (p. 15)

“Como é evidente, os problemas existem para ser resolvidos, e os filósofos oferecem as suas soluções, as suas teorias, para resolver esses problemas, tal como os físicos e os biólogos. Mas serão essas teorias boas? Temos de pensar, analisar com cuidado as diferentes teorias, verificar todos os passos em que a teoria se apóia, e ver se o problema fica realmente resolvido, ou apenas disfarçado, reaparecendo noutro lado. O estudante de Filosofia compara essas teorias, forma a sua própria opinião sobre elas, e, se for criativo, cria a sua própria teoria ao longo de alguns anos de estudo e reflexão.” (p. 16)

“Um ensino de qualidade da Filosofia não é possível sem um espaço para que o estudante discuta idéias. No King’s College London cada estudante tem um tutor cujo papel é obrigá-lo a tomar posição e a saber defender as suas idéias. Todas as semanas, o estudante tem uma aula privada de uma hora (ou num grupo pequeno de não mais de 4 ou 5 estudantes, no caso dos estudantes de licenciatura). Todas as semanas o estudante tem de escrever um pequeno ensaio (que varia de tamanho, consoante é um estudante de licenciatura — apenas uma página — ou de mestrado — em geral, 4 páginas) respondendo a uma pergunta colocada pelo tutor. O tutor indica dois ou três textos clássicos ou contemporâneos que o estudante deve ler para poder responder a tal pergunta. Mas o importante é que o estudante tome uma posição informada, compreendendo o problema em causa e as respostas que os textos dados apresentam. O ensaio do estudante é depois discutido com um tutor, durante uma hora. E o único objetivo da discussão é fazer o estudante dizer o que pensa e defender as suas idéias — e não limitar-se a regurgitar as idéias dos outros. O estudante aprende, assim, pela prática, a fazer Filosofia: aprende a discutir idéias filosóficas, a rever as suas posições, a ter em consideração contra-argumentos e contra-exemplos, aprende a ver alternativas, sente a dificuldade de defender as suas idéias. Num ensino de qualidade da Filosofia, não se pode desprezar o momento da discussão filosófica: sem esse momento, não há bom ensino da Filosofia” (p. 16-17)

Problemas filosóficos para o século XXI

Os filósofos John Perry, Ken Taylor, Brian Leiter, Jenann Ismael e Martha Nussbaum, no programa Philosophy Talk, elegeram os 10 problemas filosóficos mais urgentes do século XXI. Penso que ter em mente a noção de um problema filosófico é de extrema relevância no aprendizado da filosofia, pesquisa e ensino da filosofia. Trabalhar com problemas bem definidos pode poupar tempo e trazer resultados mais recompensadores. E compartilho a lista pois também pode ser inspiradora para quem esteja pensando em investir na formação filosófica, ou mesmo estar escolhendo um tema de pesquisa.

Lista completa: em inglês e na tradução do Google Tradutor.

Lista resumida:

10. Encontrar uma nova base para as sensibilidades e valores comuns
9. Encontrar uma nova base para a identidade social
8. O problema mente-corpo
7. A liberdade pode sobreviver ao ataque da ciência?
6. Informação e má-informação na era da informação
5. A propriedade intelectual na era da mixagem e remixagem
4. Novos modelos da tomada de decisões e racionalidade coletiva
3. O que é uma pessoa?
2. Os humanos e o ambiente
1. Justiça global